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SOBRE A SIBILA — ABOUT SIBILA

 

SIBILA NA MÍDIA
O que já saiu na mídia sobre a Sibila

 

POESIA, SOBRETUDO, POESIA

Do poeta Régis Bonvicino - nome importantíssimo quer  na criação literária, na crítica, na divulgação, nos experimentos editoriais, e numa verdadeira ‘militância/missão’ incessante de  “bateia” (metais novos), ou seja, a crivar a poesia de valor incontestável  - recebo o material de divulgação de mais um número da bela e especialíssima revista SIBILA  -- não conheço um grande poeta que não saiba da importância da revista e que não a leia. 
O nome SIBILA,  uma homenagem, de certa forma,  foi  retirado de um poema de Murilo Mendes  -- um dos mais importantes poetas brasileiros em todos os tempos e que merece ser muito mais divulgado. Ao lado de uma equipe  respeitável, Bonvicino criou e fundou a SIBILA,  cujo  primeiro número  foi lançado  nos Estados Unidos e no Brasil (São Paulo).  Agora, a revista que já possui 11 números impressos. E está on-line. Ganho evidente, a internet.

 O que importa ressaltar não é exatamente o impacto e a importância dessa revista, pela matéria poética e o rico material traduzido.  Importa reconhecer o convite que a palavra SIBILA engendra: o desafio de interpretar uma nova maneira de dizer o já-dito,  o não-dito, o que é renovo, rompendo a cegueira da familiariedade – tão em evidência no Brasil. 

Sub Rosa Weblog

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EL PROYECTO SIBILA
Iván García, Periódico de Poesía

Sibila, revista de poesía y cultura, fundada en 2001, por el poeta Régis Bonvicino, es un instrumento de gran relevancia entre las publicaciones literarias contemporáneas. Se propone debatir y actualizar, de forma crítica y directa, las cuestiones actuales en lo concerniente a las artes, así como en su relación con la política y otros ámbitos de la cultura. Dialoga con los proyectos de las vanguardias de los años 1910, 1929 y 1950. Rigurosa en la selección de materiales ofrece trabajos de poesía, artes plásticas, moda, música, ensayos, fotografía y cine, entre otros.

En la actualidad, en su sexto año y decimosegundo número, Sibila se presenta también en formato electrónico, con algunos ejemplares en el sitio www.sibila.com.br. Tal proyecto como publicación virtual fue fundado en 2006 y reúne, además del contenido de la edición impresa, otras obras y materiales críticos, creando también secciones dedicadas a la publicación de nuevos críticos y autores.

Entre sus proyectos está también, además de las publicaciones virtuales o impresas, la curaduría y organización de eventos culturales, invitando a artistas nacionales e internacionales con el fin de poner en escena cuestiones críticas sobre el contexto contemporáneo: arte como acto de riesgo, poesía en tiempo de guerra.

En su consejo editorial reúne poetas, artistas y críticos de varias partes del mundo, que participan activamente con colaboraciones o sugiriendo materiales.

Es raro ver hoy, en Brasil, un proyecto de crítica y debate tan respaldado y con tanta calidad. Sin duda se trata de un modelo de revista independiente, activa y crítica.

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ENIGMAS CLAROS
Eleuda de Carvalho, O Povo, 12/01/2007

Ainda estão quentinhos os volumes geminados da revista literária Sibila, lançados no final de 2006. Em formato livro, a edição dupla vem com o selo editorial da Martins Fontes, e sob a batuta do poeta Régis Bovincino. O tema dos volumes 10 e 11 é "Poesia em tempo de guerra e banalidade". De bônus, um texto/roteiro inédito de Hélio Oiticica

Do grego para o latim, daí ao português: Sibila. A feiticeira, a maga, entorpecida pela fumaça dos incensos no oco dos templos a revelar vaticínios. Também tenha quem dissesse da palavra - sinônimo de poesia, por sua capacidade profética e linguagem, por vezes, enigmática. Pois bem. O poeta Régis Bovincino (de Ossos de Borboleta) tomou do termo para nomear uma revista de poesia e cultura, em 2002. Contra a maré da mesmice, a Sibila vem inquietando o coral dos contentinhos com sua voz que destoa. Não é um biscoito fino para as massas. Tampouco a torre de marfim dos pouquíssimos eleitos. É uma publicação semestral que estabelece um diálogo - via literatura & outras linguagens - contemporâneo. Decifrador.

No final do ano, saíram dois volumes, 10 e 11 - um de ensaios, o outro de poemas (mas nada é assim tão repartidinho), sob um mote geral, ao mesmo tempo reflexão sobre o século XX e seu legado ao princípio do século XXI: Poesia em tempo de guerra e banalidade. O trio de diretores - além de Bovincino, o crítico Alcir Pécora e o poeta Charles Bernstein - conta com o aporte de um conselho editorial que agrega artistas da América Latina, Europa e Oriente (e pode-se pensar então nesta ausência da África, e portanto da tradição da poesia oral).

O volume 10 vem embalado em sugestiva capa vermelha, exibindo colagem de modelos femininos e desenhos, obra da artista plástica Susan Bee (que também assina a do número 11, com a modelo mal comportada Kate Moss, em auréola de santa e olhar de diaba). O ensaio inicial é assinado conjuntamente por Bonvicino e Pécora. Dizem, botando lenha na pira: "O legado do século XX revela-se como um desastre contínuo e aparentemente irreparável". E falam da incapacidade da poesia em "lidar com a estupidez e a barbárie". Inserem na trama o ruído de nacionalismos redutores e o internacionalismo globalizador. Discursam, em alta voz, sobre o "abafamento do cenário de guerra", a "proliferação redundante e prolixa do escrito", o "indiferentismo, alienação e tédio". Estas, as questões propostas. Para respondê-las, convocam oito poetas.

Abrindo os trabalhos, o russo de São Petersburgo (antiga Leningrado) Arkadii Dragomoshchenko, que começa talvez com uma tautologia, mas isto é apenas a aparência. Quando ele diz "hoje em dia, não é muito apropriado falar em poesia", é só para desdobrar camadas de inquietantes ponderações em forma de aforismos, que ele dilata e aprofunda. "O ócio é muito mais difícil que o trabalho". "Cada coisa é o resíduo de sua própria descrição". "Um erro é sempre consciente" (nada a ver com Freud, avisa). Roberto Piva, o poeta, vem na sequência mas, em lugar de um ensaio, o aviso: "Poesia como arte de minorias e inconformismo" está dito, de outro jeito, nos seus Cantos Xamânicos. Então, Eduardo Milán, professor de teoria literária e poesia latino-americana na Universidad del Claustro de Sor Juana, da Cidade do México, propõe "escrever sobre esta contradição que afirma que a guerra terminou, mas a guerra continua". Manipulação da linguagem, manipulação das consciências; não há neutralidade, reafirma o poeta, que aspira à linguagem para além da beleza de toucador: poética e ética combinadas.

Leevi Lehto, poeta finlandês, diz da poesia como uma forma de crítica - das ideologias e estruturas de poder. A poesia pode oferecer um "método de questionamento constante e aberto; plurificar as linguagens do trivial". E propõe o abandono das raízes, do que é "herdado", "orgânico", "genuíno". Tradição, só a da ruptura. A linguagem fragmentada. A internet, metáfora para as possibilidades de desafio ao próprio capitalismo. Serpente engolindo a própria cauda, pensei. "Precisamos de um novo Rabelais, ou talvez de muitos novos Rabelais". Yao Feng, poeta de Macau, desenha o cenário da China, dos ideogramas arcaicos e dos sibilos na rede mundial de computadores. Em meio ao lixo, floresce qualquer coisa de muito viva.

Paulo Henriques Britto reflete sobre o lugar do poeta e da poesia hoje, sob o signo de Octavio Paz. Nuno Ramos, artista plástico e escritor, transborda e reparte com o leitor uma "literatura pensada como coisa, como peso, como voz, como corpo, como sopro, como vento. Como música de um fole de barro, que quebra quando é tocado". De Nova York, Charles Bernstein, articulando sentidos outros com o poeta José Martí, propõe uma "declaração de interdependência". E arremata: "nossas Américas são uma performance". Evoca o Manifesto Antropofágico do Oswald (o tupi que tange o alaúde), e reparte um banquete paradoxal.

Alcir Pécora dá um tiro certeiro, quase inconfessável: escrever não é preciso (no sentido, claro, do lema da Escola de Sagres, navegar é preciso, viver não, entende?). Antologias, reunião de amigos. Da irrelevância. "A crise aqui é a total falta de crise". Respire, vire a página. Adiante, Pares Contemporâneos - isto é, entrevistas. Entre eles, os ímpares. E 3 poemas do milanês Nanni Balestrini (palavras, de diferentes tipos gráficos e tamanhos, recortadas de jornal e arrumadas ou desarrumadas numa espécie de redemoinho). Douglas Diegues, entre diversos sotaques. E a língua que ele inventou entre a fronteira do Brasil e do Paraguai. "Para caminar desnudo por estas selvas". E o poema de José Ángel Leyva, do México, O espinhaço do diabo, na tradução que Hélio Rôla fez. E ainda há dois textos críticos sobre o filme Paradise Now, de Hany Abu-Assad. Até onde pode ir o sofrimento humano.

Pra finalizar, Hélio Oiticica, Um pintor no samba, manuscrito inédito. Penetrável e parangolé. "Das experiências populares, é o samba das escolas o que mais me interessa como elemento de unificação cultural". E ainda tem todo o volume 11, com poemas e traduções. Do russo Dragomoshchenko, "Há mais de mim lá onde me esqueço. Nu, como as leis da gramática, cabeças atiradas ao avesso". E o Piva, xamã, "o cogumelo é calmo & a natureza insegura". De Lehto, "dobradiças da dor/ velas esfumaçadas do esquecimento/ os ombros da noite, migalha ferida". Yao Feng, traduzidos ideogramas. "Tudo estava escuro no meu coração". E Britto, para dizer adeus: "No fim de tudo, restam as palavras". Ainda restavam muitas coisas mais.

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ENCONTRO DE POETAS PROPÕE CRÍTICA À APATIA NAS LETRAS
Para curador de "Poesia em Tempo de Guerra e Banalidade", literatura se tornou paródia das artes de entretenimento.
Eduardo Simões, Folha de São Paulo

Sem a polarização ideológica que marcou o mundo até os anos 90, a literatura produzida após a queda do Muro de Berlim, marco do fim da Guerra Fria, é apática e acrítica e tende a ser mera imitação ou paródia das artes de entretenimento, como cinema e televisão. A proposição parte do poeta e tradutor Régis Bonvicino, curador, ao lado do crítico literário e professor Alcir Pécora, do Encontro Internacional de Poesia, que acontece em maio e junho no Espaço Cultural CPFL, em Campinas, com o tema "Poesia em Tempo de Guerra e Banalidade".
Segundo Pécora, a poesia a que se referem, e que eles querem criticar, é irrelevante, estúpida ou boçal. "Uma poesia que é acúmulo de vulgaridade, aplicação miúda e sistemática de poéticas bem reconhecidas e reconhecíveis."
Já Bonvicino defende que, depois da queda do Muro de Berlim, houve uma erosão da capacidade crítica da sociedade, refletida nas artes. E mais: o legado do século 20 não é a produção artística de escritores como Ezra Pound ou Maiakóvski, de pintores como Picasso, nem o modernismo, mas sim uma violência que "entorpece o mundo e as artes, conformadas com respostas medianas".

Crítica à Flip
"Há uma busca pelo midiático, pela "easy literature", e a Flip [Festa Literária Internacional de Paraty] é bom exemplo disso", critica Bonvicino. "Os escritores vêm para o Brasil e ficam passeando de barquinho, falando amenidades, de gênero. Queremos romper com esse mundo literário."
Pécora vai além e até mesmo descarta a idéia de um mundo literário "alternativo". O que querem, diz o crítico, é falar de uma poesia que não se isola do mundo.
"O que se supõe ou espera [do encontro] é a discussão das possibilidades de uma poesia que se quer atuante na construção e na transformação do real, e não na sua ornamentação "literária" ou "poética". Numa frase, espera-se um encontro onde a poesia signifique uma hipótese radical de crítica", arremata Pécora.

Linguagem
Na prática, o rompimento que propõem os curadores se manifesta já no elenco de convidados. A Bonvicino, Pécora e Roberto Piva se juntarão escritores de países cujos idiomas lhes conferem um caráter periférico, como o próprio português, no Brasil. Caso do russo Arkaddi Dragomoshenko, do chinês Yao Jing Ming e do finlandês Leevi Lehto.
"São nomes ligados à idéia de inovação da linguagem na poesia. Ninguém virá para passear de barco", salienta Bonvicino.

Lehto fala no dia 25 de maio sobre "Poesia, Poder e Liberdade". No dia 1º de junho, Yao Jing Ming discorre sobre "A Poesia Chinesa e a Internet". A primeira palestra acontece no dia 4 de maio, com Dragomoshenko discorrendo "Sobre o Supérfluo". O escritor russo abre o encontro falando também sobre o caráter performático da guerra:
"A guerra existe além das dimensões do ser humano, além de passado, futuro e morte. Ela se transforma em meras imagens de televisão e nos reduz a figuras unidimensionais. Como a poesia é revolução sem fim, a resistência reside na escrita."

Encontro Internacional de Poesia
Quando: de 4 de maio a 29 de junho
Espaço Cultural CPFL - Campinas SP

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QUE PENA O DIABO NÃO EXISTIR

No dia em que Manuel da Costa Pinto lançava seu Literatura Brasileira Hoje, por coincidência, Alcir Pécora completava 50 anos. O primeiro chamou o último para uma mesa-redonda sobre o assunto, mas, por motivos de comemoração, ele não pôde comparecer. Pécora decidiu – realidade ou ficção? – reunir seus amigos no restaurante Arábia e, enquanto Manuel parlamentava com gente como Arthur Nestrovski, coordenador da coleção “Folha Explica” (da qual o volume fazia parte), Alcir, involuntariamente, despertava e alimentava a discussão sobre Literatura Brasileira Hoje (Publifolha, 2004). A transcrição do suposto diálogo, no restaurante árabe, em torno da obra de Manuel da Costa Pinto, ocupa algumas dezenas de páginas da revista Sibila (número 7, ano 4). É crítica literária como não se faz mais. Emulando um colóquio platônico, ou então uma atualização à la Eduardo Giannetti em Felicidade, Alcir Pécora, além de percorrer toda a flora e a fauna da poesia brasileira dita contemporânea (sua especialidade e dos seus), mexe com vespeiros seculares e, embora a imprensa tenha silenciado, é provável que tenha causado grandes estragos. Para começar que não sobra pedra sobre pedra do livro de Manuel. Pécora e seus interlocutores – fictícios ? – desancam o “crítico” fundador da Cult desde a forma até o conteúdo. Pinçam trechos ao acaso e zombam do fato de extratos manuelinos se revelarem ininteligíveis; apontam as contradições e o uso indiscriminado de conceitos prontos, que, amontoados sem critério, geram contradições espalhafatosas. Não se conformam com a “vanguarda eterna” do concretismo (e de suas vacas sagradas). Sugerem um certo “folhacentrismo” na eleição dos autores (afinal, o número de colaboradores da Folha aparece flagrantemente desproporcional). E até arriscam, perigosamente, um lobby gay, já que Manuel privilegiaria, por exemplo, tipos que “problematizam a sexualidade”, como Antonio Cícero e Ítalo Moriconi, em detrimento dos demais. Em resumo: são tantas farpas que é um milagre que a Sibila não tenha sido recolhida na gráfica. A revista ainda traz Evandro Affonso Ferreira, poetas alemães do século XX e até um Hélio(Oiticica)tour, mas nada que se compare à desconstrução do Manuel Quatro Estrelas. Nada (Júlio Daio Borges, Digestivo Cultural).

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NOVO NÚMERO DA REVISTA SIBILA TRAZ BALANÇO SOBRE A POESIA BRASILEIRA
João Luiz Sampaio, O Estado de São Paulo - 04/01/2005

Um balanço da crítica, da poesia e da prosa brasileira contemporâneas. Assim os editores Régis Bonvicino e Tatiana Longo dos Santos iniciam sua definição do novo número da revista Sibila, publicação semestral da Ateliê Editorial. E qual a conclusão com este balanço? Quem dá a resposta é Alcir Pécora, no texto Momento Crítico (Meu Meio Século): a produção atual tem mais relação com tributos e reverências ao passado que propriamente com a invenção.
O texto de Pécora é um dos destaques da edição (ano 4, número 7) da revista e mantém relações, como aponta Bonvicino, com outros ingredientes da Sibila, como a reavaliação da obra de Augusto de Campos, por Sérgio Medeiros, e de Carlos Drummond de Andrade, por Luis Dolhnikoff. Os editores apontam ainda a relação com o depoimento de Luciano Figueiredo sobre a luta pela afirmação da vanguarda nas décadas de 1960 e 1970.
Morta em julho, a poeta  portuguesa Sophia de Mello  Breyner Andersen é relembrada com a publicação de um  poema seu de 1950, Sibilas, e de uma homenagem assinada  por Richard Zenith: “Sophia era amigável sem ser efusiva. Luminosa e ao mesmo tempo grave. Mudei-me para o seu bairro, a Graça, em finais de 1989, e passamos a nos encontrar na rua. Entrevistei-a para uma revista literária americana em 1991. ‘A poesia’, disse então, ‘é uma coisa inesgotável, uma coisa vital. Começa com a nossa relação com os objectos, com a vida quotidiana, e essa relação é mítica. Sem o pensamento mítico, o homem não consegue habitar o mundo’. Curiosa definição essa, que começa com ‘A poesia é’ e termina com ‘habitar o mundo’”, escreve.
Cláudia Cavalcanti e Fabiana Macchi assinam, respectivamente, textos sobre Else Laker-Schüller e Ernst Jandl, dois poetas alemães do século 20 que também têm textos publicados nesta edição. Já Décio Pignatari escreve sobre Charles Sanders Pierce, “o criador do pragmatismo e da semiótica”, em Horizontes Abdutivos (Rascunhos Notacionais). A edição traz ainda um ensaio de Eder Chiodetto, textos de Evandro Affonso Ferreira e Néstor Perlongher (O Sexo das Meninas). Para encerrar o volume, um dossiê sobre Hélio Oiticica. Logo de cara, um conto inédito, em que ele, vivendo como artista residente na Universidade de Sussex, na Inglaterra, relembra o tempo passado na Mangueira e suas imediações. Na seqüência, Eucanaã Ferraz e Roberto Conduru entrevistam Luciano Figueiredo, diretor do Centro de Arte Hélio Oiticica, que relembra as décadas de 60 e 70 e manifestações, como a revista Navilouca, de Torquato Neto e Waly Salomão, além da evolução de Oiticica como artista. Por fim, um ensaio de Frederico Oliveira Coelho sobre os textos de Oiticica.

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CRÍTICA DE CONVESCOTE

Gostaria de discutir aqui o caso recente de Literatura Brasileira Hoje (Publifolha, 159 páginas, 2004), de Manuel da Costa Pinto, como sintoma de um modo viciado e recorrente de se discutir literatura mas, especificamente, poesia brasileira hoje. O livro foi bastante malhado, inclusive por um tipo de crítica de convescote, como a publicada na revista Sibila, ficcionalmente feita à volta de uma mesa de jantar, na comemoração dos 50 anos do crítico Alcir Pécora, da Unicamp.

Escrito por alguém que foi um editor brilhante da revista CULT, e também pela visibilidade e importância da atuação de Manuel da Costa Pinto na crítica literária recente, o livro merece um olhar mais atento.

Rodrigo Garcia Lopes, em Zunái

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CRÍTICA AMERICANA DEBATE POESIA EM SÃO PAULO
(Folha Online, Ilustrada – 25/8/2004)

O tema "Poesia e Crítica de Inovação no Mundo Contemporâneo" será debatido hoje, às 19h, pela crítica literária norte-americana Marjorie Perloff, pelo crítico Alcir Pécora e pelo poeta Régis Bonvicino. O evento acontece na Livraria da Vila, onde Perloff lança o livro "The Vienna Paradox" (New Directions, 2004) e a revista "Sibila nº 6". Amanhã, Perloff faz palestra sobre o modernismo no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

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PUBLICAÇÕES SOBRE POESIA SÃO LANÇADAS EM SP
Folha de S.Paulo, 2001

A Ateliê Editorial promove hoje os lançamentos do livro "Cadenciando-um-ning - Um Samba para o Outro" e da revista "Sibila", ambos sobre poesia. "Cadenciando-um-ning" abarca poemas, traduções e diálogos e tem autoria de Michael Palmer e Régis Bonvicino. A revista (número zero) traz poemas de Paulo Leminski, entre outros, além de um poema coletivo com vários autores latino-americanos. Será na livraria Livre (r. Armando Penteado, 44, tel. 0/xx/11/3667-2140), às 19h.

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RÉGIS BONVICINO LANÇA BOA REVISTA DE CULTURA
Schneider Carpeggiani – Jornal do Comércio, 2001

A Ateliê Cultural acaba de lançar uma excelente revista cultural, a Sibila. A publicação é organizada por, entre outros, Régis Bonvicino.

Em seu primeiro número, traz textos inéditos de Lúcio Costa, poemas de Emmanuel Hocquard, Juan Gelman e Cecília Vicuña; além de ensaios sobre Mia Couto, Caetano Veloso e a respeito do que é ou não vanguarda neste início de novo século.

Pois bem: tantos elogios em torno da revista Sibila servem ainda para dizer que a publicação ainda não tem distribuição no Recife, e por isso isso fica aqui uma sugestão para os responsáveis por livrarias e espaços culturais locais.

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SIBILA
Revista de Poesia e Cultura
Por Edson Cruz , Cronópios

Nesta revista, boa parte do espaço é reservado  a ensaios e à crítica. A publicação tem se preocupado, também, em divulgar poetas importantes de diversas partes do mundo. Poemas  de autores como o americano Michael Palmer,  a alemã Else Lasker-Schüler, o espanhol Antonio Dominguez Rey ou um ensaio sobre o grande poeta argentino Oliverio Girondo têm aparecido ali. Tem se voltado, também, para a reflexão crítica, tendo feito, num dos seus números mais recentes, um balanço da crítica, da poesia e da prosa brasileira contemporânea. Entre os autores brasileiros, tem publicado Josely Vianna Baptista, Moacir Amâncio e Ângela de Campos, além de Régis Bonvicino, seu editor, e uma entrevista inédita de João Cabral de Melo Neto sobre o movimento de poesia concreta.

Editores: Régis Bonvicino, Alcir Pécora e Charles Bernstein
Periodicidade: semestral
Números publicados: 9
Início da publicação: 2001

Casa publicadora: Martins Editora

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SEGMENTO EDITORIAL DA RESISTÊNCIA

Sem sustentação comercial ou institucional, revistas literárias oxigenam mercado e incitam a reflexão crítica
Augusto Pinheiro, da equipe do DIARIO, 2004

Elas resistem bravamente num país em que a literatura, em particular, e a cultura e a educação, em geral, costumam ser relegadas a um plano inferior. São as revistas literárias, que, apesar de às vezes amargarem prejuízo, cresceram em número nos últimos anos e hoje somam cerca de 20 títulos no Brasil.

Essas publicações não se situam entre as mais comerciais, como a Cult, que é vendida em banca, nem entre as institucionais, como a revista da Biblioteca Nacional. São títulos publicados por editoras, como a Inimigo Rumor e a Ficções, ambas da 7 Letras (RJ) em parceria com outros selos, e a Sibila, da Ateliê Editorial (SP), ou que acabaram suscitando a criação de uma editora, como a Azougue (RJ).

Há ainda aquelas que dependem de leis de cultura, caso da Coyote, de Londrina (PR), uma das poucas que sobrevivem fora do eixo Rio-São Paulo. Em comum, elas têm o fato de abrir espaço para novos autores, além de resgatar e apresentar nomes importantes das letras, de épocas e lugares diferentes, e incitar à reflexão e a criação literária.

Recife, apesar de não ter uma revista especializada em literatura, conta com o Suplemento Cultural, editado pela Cepe (Companhia Editora de Pernambuco), em formato tablóide, que este ano homenageia os poetas da geração 67.

"Nós temos conseguido fazer a revista Deus sabe como: sem patrocínio, sem apoio, sem nada. Não recebemos nada, nosso trabalho é voluntário", desabafa o escritor Rubens Figueiredo, um dos dez editores da Ficções, especializada na publicação de contos de novos autores.

Ele discorre sobre a importância desse tipo de veículo: "Se não houver uma revista como a nossa não haverá caminho para escritores novatos se apresentarem. É ilusão achar que os editores vão localizar essas pessoas, pois não dispõem de tempo nem de pessoal capacitado."

Ele acrescenta ainda que, por ser um meio mais ágil, a revista acompanha os movimentos mais contemporâneos, "está mais próxima do que está sendo escrito, da dinâmica cultural do país".

Além da proposta de revelar novos nomes, as revistas prezam pela visão crítica, como ilustra bem a revista Sibila. "Não somos um veículo de divulgação, mas de reflexão, de pensamento, de busca de valores poéticos e críticos, com uma visão plural, incluindo reflexão sobre outras artes", explica o poeta Régis Bonvicino, editor da revista.

Apesar de tamanha importância, as revistas ainda sofrem com problemas de distribuição, mesmo apoiadas por editoras, pois muitas livrarias não se interessam por esse tipo de publicação. "Não existe muito espaço", atesta o poeta Sergio Cohn, editor da Azougue, revista que abre caminho para novos talentos e traz dossiês amplos de escritores com mais tempo de estrada.

"A revista surgiu em 1994, em um ambiente literário diferente, com apenas três ou quatro revistas que lutavam para existir", diz Sergio. "Éramos um grupo de jovens poetas que não tinha espaço para publicar nossos textos. Esse foi um dos motivos para a criação da Azougue."

A Coyote nasceu em 2001 em contexto semelhante, como explica o editor RodrigoGarcia Lopes: "Foi uma resposta a uma coisa que cansei de ouvir dos críticos e dos jornalistas: que não havia literatura de qualidade sendo feita no Brasil." A Ficções, que, em 1998, também criou vida com o mesmo ideal, surgiu no rastro da Inimigo Rumor, mais voltada para a poesia.

Como prova do poder dessas vitrines, consumidas por pessoas do meio editorial, autores que passaram pelas páginas dessas revistas já publicaram livros e caíram na graça dos críticos, como João Paulo Cuenca, descoberto pela Ficções, que lançou Corpo Presente pela editora Planeta. Bruno Zeni, um "azougueiro", desponta como um dos nomes promissores da literatura contemporânea. E, segundo Rodrigo, Micheliny Verunschk, revelação da poesia pernambucana, aportou nas páginas da Coyote antes de publicar o primeiro livro.

O caráter universal das publicações presenteia o leitor com escritores de países "periféricos", como o poeta coreano Yi Sang (1910-1937) e a escritora chilena Cecilia Vicuña, que estão no último número da Coyote.

"Temos caráter local, nacional e internacional", afirma Rodrigo, editor da revista. Isso significa que a publicação tem a preocupação de valorizar os autores paranaenses, mas não se fecha para a literatura de qualidade do Brasil e do mundo.

A Inimigo Rumor, de periodicidade semestral, chegou esta semana ao 15º número. Lançada em abril de 1997, é um símbolo da resistência desse tipo de publicação. Virou uma das principais referências do meio com poemas e textos críticos ou documentais referentes à poesia.

Atualmente editada pela 7 Letras em parceria com a Cosac & Naify e com as editoras portuguesas Cotovia e Angelus Novus, a revista inovou também com a publicação de pequenos livros da coleção Moby Dick. Outras publicações literárias de destaque, ambas de São Paulo, são Cacto e Rodapé.

ENTREVISTA A ROGÉRIO EDUARDO ALVES
Folha de S.Paulo, 2003

Por que publicar uma revista de poesia?
Régis Bonvicino: trata-se antes de tudo de um ato de cidadania e, no caso de Sibila, de um ato de tentativa de elevar o repertório da própria poesia brasileira — congelado há tempos e funcionando em torno de nomes e movimentos consagrados. Além de tentar elevar o repertório, Sibila se propõe a pensar a questão da inovação nas artes — hoje um tabu. Há, no cenário, uma desistência da poesia pelo "poético", da "arte" pelo "artístico", do ímpeto pela apatia....

Por que uma revista de poesia?
RB: Porque a poesia tem suas especificidades e sua mera publicação em jornal, por exemplo, agrava a questão de sua perda de identidade e seu vigor e a lança no campo do "poético", já que os jornais se dirigem a públicos não especializados.

Revistas foram tidas como ocupando um espaço que tanto a crítica acadêmica quanto a jornalística não dão conta. O que vc acha disso?
RB: Acho que a crítica publicada na maior parte das revistas é pior do que a publicada nos jornais, como a Folha e o Estado, que embora errem, trazem às vezes textos sofisticados. A crítica publicada em algumas revistas segue muito os paradigmas "quadrados" e "clubísticos" da Academia. Muitas destas revistas, em nome "da crítica" procuram é fazer média com todo mundo..... Crítica é escolha mais do que argumento ou retórica. Por outro lado, há poetas demais, querendo avidamente reconhecimento. E críticos incipientes. Detecto na verdade uma crise da crítica e da peosia, das cadeiras de literatura brasileira, que transformaram o modernismo e suas variantes, como a "poesia marginal", em reserva de mercado.

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REVISTAS LITERÁRIAS
Haroldo Ceravolo Sereza – "Revistas que movimentam a literatura", © O Estado de S. Paulo, 17/09/03

Convidados pelo ‘Estado’, seis editores de periódicos do gênero responderam a perguntas sobre o suposto ‘boom’ e a relação entre suas revistas e a literatura brasileira de hoje. Mais da metade enfatizou o caráter de grupo das edições, nomeando colegas que participam do processo. Uma delas até respondeu a quatro mãos. Cada revista busca uma proposta, mas todas combinam textos inéditos e muitos autores. Algumas não se restringem à prosa e poesia, comportando outras linguagens, como quadrinhos e fotografia.

 

1. Você acha que há um ‘boom’ de revistas literárias no País hoje? Se há, o que isso significa?

Ademir Assunção (Coyote) - Não vejo ‘boom’ nenhum. As revistas surgiram pela necessidade de poetas e escritores mostrarem outras visões e percepções do mundo. A desinformação e a arrogância da crítica e da imprensa em relação a autores atuais contribuíram para o surgimento das revistas. Cansamos de ler que não havia nada de significativo na cultura brasileira. Essa ebulição criativa foi abafada e, no caso da literatura, criou as condições para o surgimento das revistas.

Carlito Azevedo (Inimigo Rumor) - O ‘boom’ é um fenômeno paulista: Cacto, Sibila, Rodapé, Sebastião, Ácaro, Teresa, Azougue, são todas paulistas. No Rio, por exemplo, não se pode falar em ‘boom’. Se analisarmos o significado da preferência, não dá para esconder que a revista se tornou um meio seguro de autopromoção. Hoje é relativamente fácil editar uma revista de poesia, e em termos de visibilidade, o retorno é muito maior que o do livro. Esse comentário, contudo, pode soar muito moralista se não fizer a ressalva de que nada impede que uma revista nascida oportunista se torne oportuna.

Flávia Rocha (Rattapallax) - Há um ‘boom’ de revistas literárias no mundo, um fenômeno ligado ao avanço tecnológico que facilitou a impressão de produtos editoriais. Revistas tendem a procurar pelo que há de novo e melhor, ao mesmo tempo que promovem debates sobre formas tradicionais em ensaios e entrevistas que dificilmente seriam publicados pela grande imprensa. O ‘boom’ de revistas literárias no Brasil está apenas no início.

Régis Bonvicino (Sibila) - Creio, na verdade, em banalização da idéia da criação auto-intitulada poética. Uma quantidade influenciada pelo conceito de ‘entretenimento’. Mas revistas como Inimigo Rumor, Coyote, Et Cetera significam um esforço dos poetas de se afirmarem no bom sentido, na tentativa de criar um circuito próprio, com outras possibilidades de reflexão.

 

2. Qual, na sua opinião, é o papel de uma revista literária? Como você procura cumpri-lo?

Ademir Assunção (Coyote) - O papel das revistas é ‘oxigenar’ o ambiente cultural. Procuramos mostrar que há uma criação artística riquíssima atualmente e, por outro lado, resgatar autores de outras épocas que tenham uma produção forte, perturbadora, crítica e que, por isso mesmo, são mantidos à distância dos feudos da discussão artística. Para nós, há no Brasil uma criação rica, contundente, visceral. A difusão é que é medíocre.

Carlito Azevedo (Inimigo Rumor) - As revistas devem ser diferentes umas das outras, e cada uma deve ter um papel diferente. O papel de uma pode ser o de descobrir novos autores, o de outra resgatar nomes esquecidos, de outra disponibilizar ensaios vigorosos. Não há muitas exercendo esse último papel, que é fundamental. Henri Michaux dizia que o Brasil tinha uma inteligência muito cafeinada - com muito reflexo e pouca reflexão.

Fábio Campana e Jussara Salazar (Et Cetera) - Uma revista deveria refletir a produção de literatura e cultura em todas as direções, de forma aberta, sem querer formar igrejinhas de opinião, ser espelhamento e enfrentamento de idéias.

Paulo Werneck (Ácaro) - Não queremos fazer uma revista apenas para os especialistas, mas para um público um mais amplo, que normalmente não leria uma revista literária, mas que pode passar a se interessar por literatura ao ler um bom conto, um belo poema, um ensaio bem escrito.

 

3. As revistas compõem painel representativo da literatura brasileira de hoje?

Ademir Assunção (Coyote) - Sem dúvida. Quem quiser se informar sobre a criação literária brasileira atual vai encontrar muito mais vida e inquietação nas páginas das revistas do que dos jornais. Até porque são revistas de criação e não sobre criação.

Flávia Rocha (Rattapalax) - Elas representam uma boa fatia do que está sendo escrito e publicado no Brasil. Há uma comunicação intensa em curso nos bastidores. Há debates sobre o que já existe e sobre o que deveria existir. E mesmo que se classifique esse fenômeno como ‘boom’, sempre há mais espaço para novas publicações e editoras. As revistas criaram um circuito literário bastante ativo e diversificado, que é ao mesmo tempo alternativo e ligado à realidade do mercado editorial. É um fenômeno muito importante, que vai render frutos a curto e a longo prazo.

Paulo Werneck (Ácaro) - Não conheço a literatura brasileira contemporânea tão profundamente, nem as revistas, que são muitas, e muito variadas. De todo modo, na minha opinião o papel de uma revista não é necessariamente oferecer um painel representativo da literatura brasileira. Não são os editores das revistas que terão o discernimento para fazer esse tipo de julgamento; isso é papel de um crítico, por exemplo.

Régis Bonvicino (Sibila) - Acho que elas compõem um painel parcial. Essas revistas sobrevivem com dificuldades e empenho pessoal dos poetas. Na internet, tudo se publica e tudo perece! A internet é, neste sentido, mais representativa: todos estão lá e nada acontece! As revistas são underground e não são muito representativas, eu acho. Elas estão na contramão.

 

4. Você identifica alguma tendência estética ou política predominante nos textos que publica? Há algum movimento articulado em sua revista?

Carlito Azevedo (Inimigo Rumor) - Mais que uma tendência estética, há a resolução política dentro da revista de impedir que se crie um ‘modelo’ Inimigo Rumor. Quando acharam que a revista exibia tendências pós-concretistas, fizemos números dedicados a Gullar, Cacaso e Chico Alvim. Mesmo o nosso dossiê sobre poema em prosa impede qualquer um de tentar identificar um modelo Inimigo Rumor de poema em prosa: ali temos poemas em prosa de Arnaldo Antunes e de Eudoro Augusto, de Eugénio de Andrade e de Alberto Pimenta. É uma prática que nos orienta na produção de cada número.

Fábio Campana e Jussara Salazar (Et Cetera) - Claro que definimos uma linha editorial e estética, afinal estamos publicando textos e imagens de criação, mas isso não significa que seguimos uma estratégia ou uma tendência engessada e pautada nesse ou naquele posicionamento, que estamos nos articulando com finalidades quaisquer. Nos interessa a dialética polifônica que uma revista pode propor como um jogo de linguagens aberto e em movimento.

Flávia Rocha (Rattapallax) - O movimento é o mais vago possível, e tem algo de globalizante (mas que é exatamente o oposto da uniformização): o desejo de englobar poesia de toda a parte do mundo, dos mais diversos estilos e origens, seja a poesia pela poesia, a poesia política, ou nascida do trânsito entre diversas artes e mídias, etc. Fundamentalmente, procuramos por arte, qualidade, um sentido, se ele existir.

Régis Bonvicino (Sibila) - Inovação, vanguarda e termos correlatos são proibidos no Brasil. Nós lançamos então o impossibilismo..., que reflete esta paralisia... que reflete ainda mais o atual momento do mundo, onde o governo Bush rasgou as cartas de direitos e impôs a força dos mísseis... onde as corporações detém o poder total... o impossibilismo é uma brincadeira...

 

5. Qual a importância de revistas literárias para autores, iniciantes e não-iniciantes?

Ademir Assunção (Coyote) - É a mesma que o oxigênio tem para a sobrevivência humana. Torcemos para que as revistas, além de revelarem outros autores e textos, se tornem também pólos de aglutinação de escritores, de modo que ganhem força e possam cobrar políticas públicas para a literatura. Assim como existem incentivos para o cinema, o Brasil precisa ter incentivos para a literatura - não para as editoras, para os escritores.

Fábio Campana e Jussara Salazar (Et Cetera) - É exatamente poder dialogar com o todo, com o cosmo, e não apenas dar voltas em torno do umbigo, pois as revistas circulam, e isso é interessante tanto para os iniciantes e para os já tarimbados. Para nós, da Et Cetera, a maioria dos colaboradores têm sido de convidados e a recepção tem sido ampla, forma-se uma rede, uma teia de discussões e surgem outros que nos procuram, e chegam colaborações de todas as partes do planeta.

Paulo Werneck (Ácaro) - Nas revistas, os autores têm a oportunidade rara de experimentar e de mostrar seu trabalho sem ficar refém do livro, que exige rigor maior. Essa experimentação também tem sido feita na internet, com uns resultados legais, outros menos. O importante é a ampliação do espaço - a antiga queixa da falta de espaço tem muito menos força hoje.

Régis Bonvicino (Sibila) - É central para todas as gerações porque reinclui o que está excluído pela grande mídia e editoras. Porque recicla conceitos e estimula inclusive os novos autores. Procuramos publicar também jovens poetas. É nossa cota de generosidade. Embora haja novos talentos, não são em grande número. Retomo Mário Faustino: um poeta só pode ser considerado após 15 anos de existência. O mito do poder jovem contagia a poesia, mas não há nenhum Rimbaud no ambiente e, se houver, é algum de shopping center."

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Sibila edita obras del artista Antoni Muntadas, del músico Fabián Panisello ydel poeta Régis Bonvicino 

La obra “Meetings” de Muntadas se presenta con obras de otros artistas colaboradores de Sibila en el stand de la revista en la Feria Estampa de Madrid 

  • Antoni Muntadas presenta en Sibila nuevas obras de su serie “Meetings”, como preludio de su próxima exposición en el Museo de Arte Contemporáneo de Barcelona (MACBA)

  • Régis Bonvicino, que edita en Brasil una revista también llamada Sibila, publica en la Sibila española su nuevo libro “Hilo de piedra”

  • El nuevo CD de Sibila incluye obras de Fabián Panisello, interpretadas por los ensembles Plural de Madrid y Varianti de París, y dirigidas por el compositor  

6 de noviembre de 2002. La revista Sibila,  patrocinada por la Fundación BBVA, vuelve a mostrarse en su último número (otoño de 2002) como lugar de encuentro de las artes, las letras y la música contemporánea, con una destacada participación en sus páginas de autores americanos y europeos actuales.

En este nuevo número, Sibila cuenta con la colaboración especial de los editores de su revista homónima en Brasil: el poeta Régis Bonvicino y los escritores Odile Cisneros y Romulo Valle. Esta coincidencia en el uso del nombre de la Sibila milenaria, en opinión de los respectivos editores, obedece más que al azar a una afinidad de fondo entre las dos publicaciones, tal y como Romulo Valle ha descrito en su artículo “Un nuevo espacio para la poesía brasileña”, publicado en la Sibila española a propósito de la Sibila brasileña. Como muestra de la nueva poesía brasileña, se publican en portugués y en español los poemas recientes de Bonvicino, traducidos y presentados por Odile Cisneros, en una separta titulada “Hilo de piedra”.

El cruce entre la cultura europea y americana se produce también en el músico hispano-argentino Fabián Panisello, reconocido tanto por sus composiciones musicales como por su trabajo al frente de la Escuela de Música Reina Sofía y del Plural Ensemble de Madrid. A través de los programas y estrenos de Plural se han dado a conocer significativamente las obras de la nueva generación de compositores españoles, algunos de ellos editados en CDs por Sibila, como Jesús Rueda, David del Puerto y el propio Panisello, y a los que seguirán otros como Jesús Torres, César Camarero y Pilar Jurado. De Panisello se presentan ahora obras producidas en la década de los noventa, con diferentes enfoques estéticos según el propio compositor comenta en una entrevista con el crítico José Luis Téllez.

Antoni Muntadas es el artista seleccionado por la revista para producir una nueva edición gráfica original. Con el título de “Meetings” Muntadas retrata una forma contemporánea de vida, en reunión permanente, practicada sistemáticamente en los múltiples ámbitos de la existencia actual. La obra anuncia uno de los ingredientes de la exposición que Muntadas inaugurará en el Macba a finales de noviembre de 2002.

Sibila reúne además poemas inéditos de los poetas españoles Antonio Colinas, Clara Janés, César Antonio Molina, Juan Lamillar, Antonio Rivero y, en gallego y traducción al castellano, de Ramiro Fonte. Y entre los poetas americanos, colaboraciones del colombiano Fernando Charry Lara, el peruano Américo Ferrari, el mexicano Fabio Morábito, los argentinos Hugo Mujica y María Negroni, y la norteamericana afincada en Londres, Eva Salzman. Las colaboraciones literarias incluyen además relatos de José Luis de Juan y Berta Vias, una obra de teatro de Antonio Álamo, y artículos sobre los tres tipos de lenguajes artísticos que se encuentran en Sibila: en el aspecto literario, una reflexión de Edgardo Dobry, “Poesía y alquimia”, sobre la tradición hermética en la poesía del siglo XX; una investigación del compositor Juan María Solare, con datos y análisis reveladores sobre las relaciones que mantuvieron Mahler y Freud; y un ensayo de la crítica de arte británica Marina Warner, dedicado a las últimas acuarelas de Francesco Clemente, recientemente presentadas en la Gagosian Gallery de Londres bajo el título “The Book of the Sea”, algunas de las cuales se reproducen en las páginas de Sibila.

El número 10 de Sibila, y en particular la edición original producida para este número por Antoni Muntadas, se presenta hoy en la Feria Internacional del Grabado Estampa de Madrid, y posteriormente será presentada en Barcelona. 

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A LUTA DA PALAVRA COM O ESPAÇO EM BRANCO
Kathrin H. Rosenfield especial para a Folha - publicado no Mais!, 24/08/2003

Recebo cinco revistas de poesia -"Inimigo Rumor" (RJ/Lisboa), "Sibila" (SP/Brasília/Nova York), "Coyote" (Londrina-PR), "Ácaro" (SP) e "Et Cetera" (Curitiba-PR). Duas delas são recentíssimas: "Et Cetera" é o número zero, "Ácaro", o número dois. Sem dúvida, ainda um número restrito de revistas literárias e culturais, uma amostra pequena se lembrarmos que nos últimos anos elas têm pipocado. O fenômeno em si mesmo mereceria alguma investigação. Revistas literárias são fundadas ano a ano -há uma verdadeira inflação do gênero. Algumas delas têm produzido algumas comoções, como a iconoclasta "Rascunho", outras levam uma existência mais plácida, como a "Continente", de Pernambuco. "Ácaro" (nº 2, R$ 10, tel. 0/xx/11/ 3816-6777) - não deixa de ter um toque de ironia resenhar no Mais! uma revista que contém o suplemento "menas". Nesse minifolheto de 20 x 20 cm, Marilyn Monroe anuncia um "concurso de literatura confessional num cupom de delegacia", sob o lema de Paul Valéry, que disse: "Escrever nada mais é que preencher espaços em branco". Com pós-moderna derrisão, defende-se a tese "Onde houver celulose virgem, haverá literatura" . Dá o tom a farsa "O Bacanal" e o "Incidente Noir" -uma "minissérie em quantos capítulos a gente tiver grana pra fazer" que se desdobra na parte séria das referências editoriais com o apelo: "Empresários progressistas: anunciem no "Ácaro'". Muitas crônicas que reprocessam em forma de literatura os clichês da comunicação de massa (de Rita Hayworth a Xuxa). Uma parte da revista é dedicada à poesia -poetas brasileiros e traduções. E -de repente, quando menos se espera- um artigo "sério" e esclarecedor de Paulo Henriques Britto sobre as dificuldades que representam, para o escritor e o tradutor, as diferenças entre o português falado e o escrito, além de charadas e uma entrevista com Neslon -uma ficção que capta a realidade de um anônimo azarado que dá a entrevista enquanto sua casa é inundada pelas chuvas torrenciais, cujos estragos urbanos regularmente ocupam o noticiário. Na revista "Coyote" (nº 5, R$ 10, tel. 0/ xx/21/3731-3281) fico seduzida, de imediato, pelas palavras lapidares de Luis Dolhnikoff: "O que estou procurando com minha poesia? Nada. Jamais quis ser poeta. Sequer gosto desta palavra. Pessoalmente preferiria uma atividade mais pragmática... não procuro nada, mas encontro quase tudo. O resto é o resto". Isso já vale um poema e quase faz esquecer que na mesma página há também os versos publicados: ""Drósera'/ dissera o pobre poeta/ do que se chama boceta/ em bom português". Há também uma irônica sequência de fotos de esculturas fúnebres em poses extático-eróticas e uma tradução de poemas de Po Chü-I, poeta chinês e crítico da política dos imperadores do período Tang (772-846). Jacques Roubaud é apresentado sob o lema de Rimbaud, "é preciso ser absolutamente moderno", e também como explorador das fronteiras da lógica. Co-fundador do grupo Oulipo ("Ouvroir de Littérature Potentielle", isto é, um workshop de literatura potencial), esse matemático empenhou-se com outros membros (Queneau, Perec ou Italo Calvino) em dissolver as formas cristalizadas, nem que fosse ao custo de fórmulas aritméticas (por exemplo, o S-7: substituição de um substantivo pelo sétimo que segue no dicionário).

Capa de grife Um esforço semelhante de explorar os potenciais insuspeitados da linguagem constitui, sem dúvida, um dos vetores capitais da poesia atual (e das revistas de poesia). A diferença é que os oulipianos franceses se sentiam ainda interpelados pelo pensamento sistemático (filosofia, lógica, matemática) -traço cada vez mais ausente nas iniciativas poéticas recentes. Estas convergem mais para o pólo do engajamento. Em uma entrevista, Claudio Daniel entende sua própria poesia como "partitura do bizarro" e como uma reflexão crítica "sobre a lógica do poder estabelecido". Centrada em um tema, "Inimigo Rumor" (nº 14, R$ 25, tel. 0/xx/21/ 2540-0037) distancia-se em vários sentidos da busca de diversidade das outras quatro revistas. Já de longe se destaca a bela capa, design italiano que faz pensar, imediatamente, na "grife" Cosac & Naify. Além do aspecto gráfico, moderníssimo, o belo volume pesa na mão, suas folhas abrindo-se como aqueles antigos volumes artesanais feitos para sobreviver ao tempo. Essa é a sua aparência gráfica, mas, quanto às suas páginas, são ao todo 240 -e bem cheias-, um livro robusto como uma antologia acadêmica. Nada de papel cuché. Nenhuma economia de espaço privilegiando os brancos. Sobre as folhas de boa qualidade, mas sem luxo e sem ilustrações, muita informação: mais de cem autores apresentando poemas em prosa. São na maioria brasileiros, mas há também portugueses e espanhóis, além de estrangeiros, argentinos, franceses, japoneses e gregos (o já bem conhecido Giórgios Seféris, Kiki Dimoulá e Nikos Kavvadias). Parece, à primeira vista, uma antologia. Mas há também ensaios críticos que tematizam as relações entre poesia e prosa e questionários sobre o suporte material da poesia-literatura, o livro. O editorial situa o poema em prosa referindo-se a Baudelaire, um dos ilustres exploradores da tensão entre o orgânico e o fragmentar. Poderia também ter mencionado outras etapas da história desse gênero que aparece, por exemplo, em Mallarmé, como uma válvula de escape, uma prática que alivia as excessivas exigências formais que o poeta enfrenta nos seus outros trabalhos. De todo modo, o editorial coloca como problema para a crítica atual a questão de saber qual é o lugar que ocupa o poema em prosa numa época que se desvinculou das formas para as quais ele constituía o contrapeso. "Sibila - Revista de Poesia e Cultura" (ano 3, nº 4, R$ 25, tel. 0/ xx/11/4612-9666) preenche um espaço muito prezado na tradição política e cultural, artística e literária brasileira desde o modernismo. Fiel a essa tradição libertária, inicia com um "Desmanifesto" pela abertura, pela multiplicidade e pela elaboração de perspectivas que visam a agregar e incluir o heterogêneo na cultura multifacetada brasileira e mundial. Por isso é favorável ao "poder da invenção" e "da criação de alternativas, para além das idéias de oposição e resistência" (entrevista com Michael Hardt). Por isso se inscreve claramente no marco da intelectualidade de esquerda que levou ao restabelecimento da democracia no Brasil. O futuro mostrará se o entusiasmo com o modelo político-cultural do Rio Grande do Sul (que os entrevistadores e o entrevistado devem ter observado a uma distância que filtrou os traços totalitários da política cultural do PT gaúcho) confirmará a idéia de que Porto Alegre "é um evento que não só imagina alternativas em conjunto, mas que apresenta um tipo de coerência... global entre os vários movimentos e assuntos sociais". Diante do desafio da desagregação das antigas categorias sociológicas e políticas (o "popular-nacional" cedendo à "multidão"), a poesia é vista como podendo "agir como ponto de resistência... e criar alternativas". Bem ancorados na tradição do engajamento que vai de Brecht a Jean Genet e dos poetas beats às vanguardas brasileiras, "Sibila" e seu entrevistado, Michael Hardt [professor de literatura na Universidade Duke (EUA) e co-autor, com Antonio Negri, de "Império"], atribuem à arte e à cultura um papel importante e nobre, apesar de "uma espécie de desorientação de muitos artistas e críticos da arte literária pela desintegração dessas várias fronteiras [ideológicas, sociológicas e tecnológicas]".

Leque variado Sob o signo dos ideais emancipatórios e do despojamento visual (não há intervenções gráficas na revista nem fotografias nem ilustrações), "Sibila" oferece ao leitor um leque diversificado de literaturas: poesia nacional e estrangeira, debates sobre poesia e tradução, música e arquitetura, projetos artísticos e edição. Destaquemos, entre muitos outros artigos interessantes, a instigante apresentação de Robert Creeley em "Da Poesia da Experiência à Experiência da Poesia" e a conversa de Régis Bonvicino com Douglas Messerli. "Et Cetera - Literatura & Arte" (nº zero, R$ 25, tel. 0/xx/41/264-9463). Num elegante formato quase quadrado (27 x 24 cm), esta revista atrai pela sua elaboração gráfica. Um ambíguo sorriso de fauno ou ninfa capta e seduz instantaneamente o olhar, que desliza de página em página passando por inúmeras ilustrações e fotos. O editorial, jocoso-sério, apresenta-se, "entre outras coisas", "sem esperança nem temor" -o que é um excelente lema para uma revista de literatura e arte no Brasil. Alinha, com aliterações e com nexos ricos, prolíficos, talvez proliferantes, as palavras-chave que fornecem os múltiplos vetores do programa editorial: "Palavras são invocações ao amarelo (girassóis), loucura de van gogh, mas com cubos e esquadros..., pois palavras são jardins de incitação..., pois palavras são desafios, contendas e delendas, que recusam o ordinário e sonham o extraordinário, redesenham novas atlântidas e descartam os fiapos do fácil, do fétido e do fútil, pois palavras são mantras, sopros e mandalas, cantos sagrados, encantos e segredos...".

Morte da poesia No centro das 200 páginas da revista está a enquete "A Poesia Está Morta, mas Juro que Não Fui Eu", em que se encontra (entre outros posicionamentos) a irônica estocada: "A poesia não morreu, mas todo mundo virou poeta, e todo poeta clone de outro clone. Será que a morte é apenas a clonagem da vida?". E em volta disso tudo há poemas visuais, séries fotográficas, poesia atual, além de inéditos de poetas já consagrados (Borges, Manuel de Barros), curiosidades pantagruélicas como "O Elogio da Bosta", os últimos poemas de Arnaldo Antunes, cheios de inovações, que falam de comunicação moderna, de dimensões novas da sonoridade e da visualidade. Os críticos são defendidos em boa hora por Jamil Snege: "Você já imaginou se não existissem esses abnegados, dispostos a separar o joio do trigo, que imensa quantidade de besteiras correríamos o risco de ler?". Impossível listar toda a diversidade de artigos nacionais e internacionais que vão da poesia musical e plástica do cubano José Kozer a uma das letras de Kurt Cobain, do grupo de rock Nirvana ("Jesus don't want me for a sunbeam") ou fragmentos de "Dry Rust", de Moacir Amâncio.

Kathrin H. Rosenfield leciona teoria literária na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, autora de "Antígona - De Sófocles a Hölderlin" (L&PM).

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