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MANIFESTO POLA RESISTÊNCIA GALEGA

Falarmos de naçom galega significa fundamentalmente termos a vontade e a determinaçom colectiva para fazermos valer o nosso direito a existir como povo, sem ingerências nem dependências, preservando e orgulhando-nos da nossa identidade.

Somos naçom na medida que pelejamos, para sermos o que queremos ser, nem mais nem menos, e alimentamos com factos e nom só com palavras e bons desejos a existência de umha subjectividade colectiva, formada por cidadaos e cidadas livres numha Galiza soberana que constrói geraçom trás geraçom umha urdime e tradiçom de luita.

As cidadás e cidadaos galegos, o povo galego, nom somos um conceito abstracto, um ente metafísico constituído por inspiraçom divina. A identidade nacional forja-se sempre num tempo histórico e num espaço territorial em presença de catalisadores sócio-económicos, políticos e ambientais.

Quando aceitamos com resignaçom que as nossas filhas e os nossos filhos se espanholizem e imbecilizem nas escolas e licéus, quando acatamos resignadamente que se desmantele a nossa economia produtiva e agrária, fazendo-nos mais dependentes; quando aceitamos como umha plaga bíblica que o nosso País se queime todos os anos, se converta numha gigante granja de eucaliptos e moínhos de ferro e periodicamente a nossa riqueza produtiva e ambiental seja arrassada por marés negras, quando aceitamos passivamente que se especule com o chao e grande parte do território se converta num deserto povoacional; quando aceitamos impassivelmente que se expoliem os nossos recursos energéticos; quando aceitamos que as trabalhadoras e trabalhadores galegos, artífices de toda
a riqueza social que desfrutamos, continuem privados da propriedade dos meios de produçom e das decisons político-económicas que se tomam no País; quando aceitamos que boa parte da nossa mocidade trabalhadora fuja à emigraçom; quando aceitamos submiss@s que as intituiçons de poder espanholas nos imponham vassalagens, réguas, pautas e valores, verdades e mentiras? quando aceitamos resignadamente todas estas cousas estamos renunciando a sermos cidadaos livres, povo galego; renunciamos a exercer como naçom.

Nom imos descobrir agora aqui a situaçom actual do nosso País. É sabido por quase todas e todos o paradoxo de que nunca como hoje houvo tanta informaçom e um acesso tam veloz à mesma e, pola contra, nunca tam ameaçada estivo a nossa capacidade volitiva. A normalidade democrática espanhola é um facto histórico que administra a nossa morte como naçom, impedindo que as necessidades se convertam em realidades, frustrando historicamente o desejo e a necessidade de soberania através da retórica, o burocratismo, a legalidade imposta e o happening. Ou se redobram neste tempo de crise nacional prolongada as políticas de resistência a esta indolência, a esta agonia doce, a esta consumiçom quase pracenteira que vive umha parte do nosso Povo ou, como diz o refrám, tarde piamos.

Nom vamos dogmatizar sobre que políticas de resistência som as boas e quais as más. Fazê-lo seria incorrecto e empobreceria o tipo de respostas que exige umha situaçom política e social complexa num processo aberto de libertaçom nacional e social como o nosso. A resistência cultural, a resistência económica, a resistência estritamente política e a resistência ilegal, num sentido amplo, som todas pertinentes e necessárias. Aqueles e aquelas que se encham a boca com condenas, com absolutismos, com dogmatizaçons estéreis em torno aos métodos de luita e as formas de resistência, já for para desprezar as intervençons culturais e sócio-políticas ou para anatemizar as acçons ilegais e/ou de violência política, estám fanando irresponsavelmente as possibilidades de luita e condenando o nosso País ao fatalismo e à frustraçom eterna.

Chegou a hora de que o nacionalismo galego, com todas as suas famílias e subfamílias, grupos e subgrupos, compreenda que nengumha forma de resistência é anuladora das outras. Só desde umha análise dogmática da complexidade social e patrimonializadora da actividade política se pode desejar ver ao nosso povo desarmado material e subjectivamente.

Na Galiza, desde 1974, umha parte do nacionalismo galego compreendeu a necessidade de implementar formas de resistência nacional de carácter ilegal e de violência política ante um marco jurídico-político fechado e dogmático que impossibilita a voz soberana para a nossa naçom. O universalmente proclamado direito de autodeterminaçom dos povos é negado expressamente na constiuiçom espanhola. O Estado espanhol negando à Galiza a decisom sobre o seu próprio futuro nega um dos elementos primários de qualquer relaçom política democrática. E os direitos políticos básicos, a democracia política, nom se esmolam. Conquistam-se.

Nom é possível falar de democracia para Galiza no entanto nom se satisfazerem as mínimas condiçons de liberdades e direitos básicos: as que passam polo reconhecimento explícito da autodeterminaçom e pola plena potestade para erguermos um outro modelo social alicerçado nos interesses e necessidades das maiorias trabalhadoras.

O independentismo galego entendeu sempre esta necessidade de implementar formas de intervençom política ilegal como parte de um universo político e social muito mais amplo. Este independentismo entende que o exercício da violência política em si mesma nom outorga credenciais de nada, nem converte quem a a pratica em mais puro ou mais nacionalista. Ora bem, tampouco podemos deixar de reconhecer que @s militantes nacionalistas que se implicam nesta forma de resistência som também umha referência política importante. Poderíamos dar mil razons para soster esta asseveraçom, mas avonda com reconhecer a enorme importáncia que tem fazer-lhe frente aos demonhos paralisantes num povo treinado desde muito cedo baixo as armas da repressom e a alienaçom na obediência e o
escapismo.

A história da violência política nacionalista na Galiza passou por duas grandes etapas. De 1974 a 1993 e de 1995 até hoje. Estes últimos dez anos, de maneira paralela à edificaçom de um novo processo político, fomos partícipes e testemunhas de novas formas de intervençom, de reformulaçons tácticas e estratégicas e da incorporaçom e concatenaçom por primeira vez na nossa Terra de até três geraçons de combatentes no mesmo processo. É um orgulho poder dizer que a chama independentista, em todas as suas frentes, continua viva, e que sabe rir-se desde a acçom e para a acçom das directrizes de submetimento espanholas e do triste nacionalismo de museu de tantos estrategas da mediocridade e a renúncia.

Desde 1995 assistimos a umha nova resistência galega que utiliza a violência política como umha arma mais de combate no processo de libertaçom nacional e social. Neste tempo instituiçons bancárias, transnacionais, empresas espoliadoras de recuros energéticos, forças de ocupaçom, projectos e empresas vencelhadas à turistificaçom, obras públicas agressivas com a Terra, meios de comunicaçom ao serviço do Estado, partidos políticos espanholistas, empresas escravagistas, imobiliárias? fôrom objecto de algum tipo de castigo popular independentista e pugérom em causa o mito da docilidade galega.

Umha resistência sem nomes, nem siglas, nem postas em cena organolépticas. Umha resistência anónima, como o sofrimento de milhares de galeg@s expropriad@s, emigrad@s, explorad@s e espanholizad@s. Umha resistência que se exprime através das suas acçons e que se dispom a impedir que os verdugos desta Terra dormam tranquilos. A resistência galega actual nom se amolda a formas rígidas impostas por qualquer dogma ideológico ou militança convencional, esforçando-se por descobrir na prática do combate os caminhos que vinculem as necessidades mais sentidas do nosso Povo.

Na nova resistência galega ilegal há lugar para tod@s, para todas as modalidades de intervençom e todas as variáveis organizativas, sempre e quando forem respeitados os interesses e a saúde do povo trabalhador galego. De dia ou de noite, individual ou colectivamente, com meios tecnológicos ou elementos primários, com explicaçons públicas ou sem elas, enquadrad@s em estruturas estáveis ou desde a raiva, o conflito ou os ataques ocasionais, os inimigos da Galiza devem ser fustigados em todo lugar e circunstáncia. Ninguém debe agardar a que o chamem à porta, nem delegar responsabilidades. Se algo demonstrou a nova resistência galega ao longo destes últimos dez anos é que os meios nunca som um impedimento irressolúvel se há vontade de luitar e reservas de imaginaçom
e criatividade.

A nova resistência galega está apreendendo a esquecer os protagonismos, tanto pessoais como organizativos; nom acredita em vacas sagradas e santuários, nem em mitos mortos ou vivos? O relevante nom é quem bate senom em quem se bate. O relevante nom é quem organiza nem o grau de organizaçom, senom o certeiro das acçons e o afortalamento da luita. A resistência galega é já um incipiente fenómeno social, medrando com cada acçom levada a cabo no País, para converter-se num rio fecundo. Assinala ante o Povo os inimigos irreconciliáveis da Galiza e a natureza radical e ilegítima da opressom.

Desde aqui fazemos um chamamento a tod@s @s nacionalistas galeg@s a somar-se à resistência galega com a sua força, imaginaçom e determinaçom.

20 de julho de 2005

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