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Três poemas de mio cardio

 

cancioneirinho da fossa
(cosmopolitan remix)

obtuso

diz-se do obtuso,
da soma, não pelo ângulo:
contrário ao óbvio
põe-se em absurdo;
aquilo que se diz
contra tudo, óbvio
por amplo, confuso...


cismado

(bestiário sísmico se aproxima)

braço terremoto de cãibra e cócega
interrompe o sono

caralho envirilha esguicho ao talho
interrompe o sono

— alguém esquece o aparelho ligado

jazz café e veludo vermelho
desenha, o contrabaixo


salto agulha, martini e cereja
— traga sono:

contar,
farpas de arame:
bezorros de chifres verdes na cerca

— do fogo antiaéreo
gastrite, cigarro entre dedos
coceira entre dedos
membros hibernam estanques na alcova —

besuntos de groselha empalando carneirinhos
interrompem o sono

bezorros largam seus chifres na lã

e se despedem.

janelauroras despem o aposento.

fechados olhos,
as pálpebras vibram.


precoce

da cômoda a luz interrompia
retinta a retina apagada na cinza
antes que fosse escrita.

*


Fabio Riggi, 28 anos, jornalista, canhoto. Frilou em todo tipo de redações e suas melhores entrevistas foram com modelos da Ford (devido, sobretudo, às modelos). Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, também é colaborador e resenhista em sites e revistas de literatura e cultura. Atualmente é uma pessoa pública stricto sensu. O pequeno "mio cardio" foi escrito por volta de 2003 e vem sendo reescrito e recortado desde então.