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Home Hotel Kafka

Quadras

Uma bruxa melada e manguaceira

Achando-se esquecida no seu canto

Resolve costurar mais um encanto

Usando a língua bífida e rasteira.

 

E, como tem bom faro, vai matreira,

Com venenoso olhar pondo quebranto,

E, sem medir ridículo ou espanto,

Sorrindo como velha alcoviteira.

 

Faz crítica esse espanto entre os espantos!

Pisca os fracos olhinhos, rebolando

As baixas ancas e o panção nefando

E todo o horror oculto dos recantos!

 

E atraca-se num livro, vira fera,

Rói-lhe a lombada, baba na costura,

Então, como feroz cavalgadura,

Em tudo pisa e mija – e vocifera!

 

Depois, no semanal sabá, banzeira,

Se exibe ao chefe, pede-lhe um boquete,

E depois de assim limpo o bastonete

Feliz comunga a pizza costumeira.

 

E a crítica que fez, que é feito dela?

Ah, quase isso não digo, de vergonha:

Em tal revista vem essa má bronha,

Que o escarro está à altura da gamela!