Quadras
Uma bruxa melada e manguaceira
Achando-se esquecida no seu canto
Resolve costurar mais um encanto
Usando a língua bífida e rasteira.
E, como tem bom faro, vai matreira,
Com venenoso olhar pondo quebranto,
E, sem medir ridículo ou espanto,
Sorrindo como velha alcoviteira.
Faz crítica esse espanto entre os espantos!
Pisca os fracos olhinhos, rebolando
As baixas ancas e o panção nefando
E todo o horror oculto dos recantos!
E atraca-se num livro, vira fera,
Rói-lhe a lombada, baba na costura,
Então, como feroz cavalgadura,
Em tudo pisa e mija – e vocifera!
Depois, no semanal sabá, banzeira,
Se exibe ao chefe, pede-lhe um boquete,
E depois de assim limpo o bastonete
Feliz comunga a pizza costumeira.
E a crítica que fez, que é feito dela?
Ah, quase isso não digo, de vergonha:
Em tal revista vem essa má bronha,
Que o escarro está à altura da gamela!


