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Home Hotel Kafka

Soneto

Um pulha de espadim, bonzo eramá,

Primaz da confraria do Bangu,

Espinhento tal qual um babaçu

Azulado como um baiacuará,

 

Se finge provençal, nascendo cá:

Mudando o sobrenome o gabiru

Quis borrar o natal caaguaçu

E o pátio onde dançou o canimá.

 

Mas mais manco é na ideia que no nome:

Publica verso, em tudo mete a mão,

Franguinha que se toma por ebome,

 

Soldado que se julga capitão:

Por timbre tem somente o codinome

E a fama de budista bobalhão!

 


Joaquim Maria é sobretudo poeta, embora como artesão reconheça que é um ferreiro irregular. Nasceu em Rio Claro, em 1949. Fez fonoaudiologia, primeiro como paciente para livrar-se de gagueira, sem sucesso; depois como estudante de curso universitário, já definitivamente desiludido de falar bem, não tendo porém obtido o diploma por falta de habilidade prática. Para custear os estudos, foi tipógrafo e ghost-writer. Com 16 anos publicou seus primeiros sonetos, em folhas volantes. Em 1969 publicou um folheto de poesias românticas, que prefere não nomear. Seus primeiros livros de fato datam de 1971, Sangue azul (edição própria) e Elas adoram os bocós! (também edição própria). Atualmente, vive em Limeira, onde administra uma pequena empresa de informática, especializada na confecção de sites de poesia. Ministra eventualmente oficinas literárias e coordena projetos de captação de verbas para uso cultural.