ESTADO CRÍTICO
(volta)


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ESTADO CRÍTICO
Sibila investe em novos críticos e novos tradutores.

 

TrÊs poemas de Mario Nicolao

Mario Nicolao nasceu em Pesaro, 1940, entre Milão e Genova, Itália. O seu livro Carte Perse (Papéis Perdidos), publicado em 2000, pelas Edizione San Lorenzo, é uma reunião de poemas escritos entre 1972 e 1974. Deste livro escolhemos sete poemas para uma pequena mostra. Mario também tem escrito artigos sobre literatura, música, cinema e teatro. Entre os anos de 1960 e 1970 esteve perto, colaborando, com alguns autores de jazz: Gato Barbieri, por exemplo, ou Don Cherry. Ainda, Dollar Brand ou Steve Lacy. Escreveu o que ele chama de “uma biografia imaginária” de Rossini, sob o título de La Maschera di Rossini (A Máscara de Rossini), Rizzoli, 1991. Escreveu igualmente, a quatro mãos com Vincenzo Consolo, um diálogo intitulado Il Viaggio di Odisseo (A Viagem de Odisseu), Bompiani, 1999. Esta é a primeira vez que poemas de Mario Nicolao são traduzido para a língua portuguesa.

Accorgiti 

Accorgiti di me che sono desto
Che mai lavoro di mattina presto
Che non mescolo rantoli al mio testo
Per rimettermi in sesto
 
18.2.1972

Repare

Repare em mim que estou desperto
Que nunca trabalho de manhã cedo
Que não misturo agonias ao meu texto
Para me colocar nos eixos

 

Gozzaniana

Marciscono su un dorso di banchina
Le cose mie I fogli che ho già scritto
Più di cento poesie
Aspettano un vascello che non viene
In esse ho numerato le mie pene
La voglia di star bene 

20.2.1972

Gozzaniana

Apodrecem sobre o encosto de um banquinho
As minhas coisas As folhas que já escrevi
Mais de cem poemas
Esperando um barco que não vem
A vontade de estar bem

 

Talassografia I

Nella mano del dio come uno squalo
Che tutto ha divorato
(di una losca sapienza le parole
ripetono l’inganno) io guardo il mare
che arrotola i suoi nastri d’infinita
telescrivente
voglio la sua scrittura e una perenne
continuità
è meglio alla mia lingua farsi opaca
nei conati di tempo e mai piu innocue
come pesci “nell’aria bella e nera”
le parole riverse, io di sicuro
non so quante violenze
l’animale diviso ora raccoglie   

4.3.1972

Talassografia I

Na mão de deus como um tubarão
que devorou tudo
( de uma sapiência vesga as palavras
repetem o engano ) eu vejo o mar
que enrola os seus laços de infinita
legenda
quero a sua escritura e uma perene
continuidade
é melhor minha língua fazer-se opaca
nos rasgos do tempo e nunca mais inócua
como peixes “no ar belo e negro”
as palavras ao avesso, tenho certeza
não sei quanto de violência
o animal partido apanha agora

 

Tradução: Manoel Ricardo de Lima e Laura Erber

 

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