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SIBILA 7 • ANO 4 • 2004

 

EDITORIAL
(volta)

 

EDITORIAL - SIBILA 7

 

SIBILA promove, em seu novo número, um balanço da crítica, da poesia e da prosa brasileira contemporânea, que, ao olhar desavisado, podem parecer, enganosamente, como afirma Alcir Pécora,das mais "vibrantes do mundo". Em seu longo ensaio (ou peça de ficção?), que não queremos antecipar neste espaço, Pécora demonstra como a produção atual, mesmo a supostamente avant-garde, à maneira concretista, é pensada como "tributo" e não como invenção. Autores centrais: Antonio Candido, Haroldo de Campos e Caetano Veloso, por exemplo, e movimentos, como o modernismo de 1922, são postos em discussão. O texto de Pécora é reativado, ainda, no conjunto do número, por abordagens críticas das obras de Augusto de Campos e de Carlos Drummond de Andrade e por um longo depoimento de Luciano Figueiredo, que traz à tona a luta da afirmação das vanguardas dos anos 1960 e 1970 e muito de suas histórias, numa época em que o Brasil vivia sob uma ditadura militar. É de se destacar a publicação inédita de um conto de Hélio Oiticica, um dos maiores artistas brasileiros da segunda metade do século XX. Há também uma reflexão assinada pelo ensaísta Frederico Oliveira Coelho sobre o Oiticica poeta / escritor.

Ressalte-se, por outro lado, a entrevista do poeta francês Claude Royet-Journoud, onde é feito também um balanço, de modo unusual, de questões artísticas internacionais e brasileiras. Publica-se a poeta alemã Else Lasker-Schüler, desconhecida por aqui, o poeta espanhol Antonio Dominguez Rey, poemas de Josely Vianna Baptista e de Angela de Campos, prosas de Evandro Affonso Ferreira, um contundente ensaio fotográfico de Eder Chiodetto e trabalhos sobre Néstor Perlongher (um dos idealizadores do movimento neobarroco, um dos movimentos questionado por Pécora em seu texto) e, ainda, o texto de Perlongher sobre o excelente poeta argentino Oliverio Girondo.

Há, neste número, com a entrevista de Figueiredo, uma pequena homenagem de SIBILA à revista Navilouca, que, nos anos 1970, correu correu riscos e foi porta-voz de inovações importantes para a época, realçando-se, nela, as presenças de Oiticica, Lígia Clark e Torquato Neto. Agradecemos a Eucanaã Ferraz pela organização do material de e sobre o criador dos Parangolés.

Por fim, uma palavra sobre a reeleição de George W. Bush nos EUA. Certamente, em "harmonia" com sua política imperial, o presidente estadunidense procurará criar novas zonas de influência na Ásia Central e no Oriente Médio, prosseguirá em seu cerco sub-reptício e silencioso à China, seguirá tentando limitar o poder russo e buscará produzir focos de conflitos e crises artificiais nos países da União Européia. Poderá também invadir algum território soberano da América-Latina, seguirá assassinando pessoas no Iraque e no Afeganistão etc. etc. As forças democráticas do mundo encontram-se numa encruzilhada. No entanto, precisam resistir a Bush e a seus atos, que colocam a civilização em risco permanente. SIBILA passa a cobrar de artistas e poetas norte-americanos posições claras em relação a Bush. A revista não os discriminará, todavia, exige que eles, como fazem, por exemplo, Michael Moore, Douglas Messerli e Michael Hardt, comecem a se desvencilhar da "ação" facista, hitleriana, que dá hoje o perfil daquele país, que, no passado, foi "exemplo" de democracia. Não é possível não ser contra Bush! Não é possível fazer poesia e ficar indiferente a Bush! Não é possível não agir. SIBILA supõe que uma das muitas formas de resistência que pode ser estimulada é a do dissenso, claro e nítido, mesmo que aparentemente inútil, em relação às políticas norte-americanas, que, sim, alteraram e alteram, também, qualquer sentido atual de arte.

 

Régis Bonvicino e Tatiana Longo dos Santos

 

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