EDITORIAL – SIBILA 5
NO ACTION TO BE TAKEN???
SIBILA estampa, neste seu sexto número, um ensaio inédito de Marjorie Perloff, “Viena Sedutora”, onde ela discute, por meio de reminiscências auto-biográficas, questões relativas à cultura erudita e à cultura pop, de massas. Tal ensaio integra seu novo livro Viena Days, que sairá em 2004 nos Estados Unidos. Em seguida, Sibila acentua a voz feminina, numa seqüência, com a publicação de trabalhos, entre outras, de Regina Silveira e da poeta portuguesa Ana Hatherly, que corresponde no Brasil à geração de João Cabral.
Um dos temas abordados por este número é o da
tensão (fronteira) entre vida e escritura, o “elemento escrever, tão vital”, como afirma o francês Roger Laporte, em “Folha Volante”, invocando, também, neste sentido, Kafka: “a existência do escritor depende realmente de sua mesa de trabalho”. Essa questão é igualmente ressoada por Haroldo de Campos, na entrevista inédita que publicamos: “Mallarmé era um poeta de gabinete.
Mário de Andrade era um poeta de gabinete [...]. Rimbaud era um homem da prática e da vida”.
Ressaltamos ainda a seção “Pares Contemporâneos”, com entrevistas de Affonso Ávila e do russo Arkadii Dragomoshchenko, que nos diz: “sou político quando penso nos desastres do mundo mas não quando sento para escrever um poema ...”. Sibila, para contextualizar a presença de Arkadii, resgata um texto de Mário Faustino sobre poesia russa, escrito em 1957. Destaque-se o ensaio “Leituras das Versões Portuguesas dum Poema de Li Shangyin”, teoria e prática da tradução, feito pelo chinês Yao Jingming, que reside em Macau, especialmente para a revista.
A seqüência das vozes femininas, do início, finda-se com Henriqueta Lisboa, em “Recuperações”, que, ao tratar do tema beleza e poesia, afirma, citando Drummond: “esta manhã ou outra possível / esta vida ou outra invenção”.
Os Editores
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