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No início 2002, Plínio Martins Filho me encomendou um livro com cem versos antológicos da poesia brasileira. Tranquei-me no carnaval daquele ano e construí a primeira versão do que sai só agora, com alguns poetas portugueses incorporados. Dois anos mais tarde, Martins Filho me avisou que, dadas as circunstâncias, não teria condições para editar o volume.
Desde então, fiz várias revisões no trabalho, excluindo alguns versos e incluindo outros, conferindo ao conjunto um caráter ainda mais pessoal. Desde o início imaginei esta antologia como um poema autônomo, feito de versos alheios, com começo, meio e fim, de minha autoria e risco. Um poema-colagem. No entanto, ao sacar tais versos da tradição, busquei equilibrá-los entre a melopeia, a fanopeia e a logopeia, ainda que tenha escolhido os que mais amava e que habitam o meu inconsciente e subconsciente. Estes versos fazem parte do meu dia a dia e do transcorrer de minha existência: conheço-os de cor, valendo-me deles de vários modos.
Concluí o trabalho em 2008. Não me lembro mais de quais poemas retirei os versos, o que acentua o traço de poema próprio, sem preocupação historiográfica. O volume, quando solicitado por Martins Filho, recebeu o título de Cem versos ou quase. Posteriormente alterei para Música, muito além do instrumento, verso da extraordinária Henriqueta Lisboa – nossa simbolista lato senso a destempo e muito contemporânea e viva. A disposição dos versos respeita a ordem cronológica dos autores e dos movimentos estéticos a que pertencem. Cansado das armadilhas e desculpas dos editores, publico-o agora na forma de e-book.
Régis Bonvicino
São Paulo, 22 de abril de 2009.
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