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* SIBILA *
Ano 9 - ISSN 1806-289X - Edição de 19 de junho de 2009

Leia nesta edição: Thriller e o arco da canção pop, Marcelo Flores; Clichês sobre Michael Jackson, Régis Bonvicino; Poemas do espanhol Antonio Machado, Ronald Polito; Lucio Costa – pensamento filosófico (três textos), Lucio Costa; Virna Teixeira como sintoma da produção atual, Fabio Riggi; Relendo Duchamp e Outros Transgressores, Cândido Rolim; A decadência do império Caetano, Ronald Augusto; Vinte anos da morte de Leminski, Marcelo Flores; Um olhar portenho sobre Paulo Leminski, Dois ensaios de Leminski, Paulo Leminski; No hay poetas jóvenes, José Molina; Oito e meia razões para detestar "Leite Derramado", Leda Tenório da Motta.

 
Clichês sobre Michael Jackson
Régis Bonvicino   

Michael JacksonLeio e ouço, entre atônito e… risonho, os clichês da mídia brasileira sobre Michael Jackson. Os clichês evidenciam que não há, por aqui, indústria do entretenimento capitalista estruturada e, consequentemente, jornalismo de entretenimento com algum nível. Sou da mesma geração que Jackson. É interessante observar como ele pauta sua própria morte.

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Thriller e o arco da canção pop

Marcelo Flores

Mick Jagger

A tradição anglo-americana da canção realizou, através da segunda metade do século XX, um movimento em forma de arco: se desenvolveu fortemente com a contracultura, com o rock e com os meios de comunicação de massas; obteve um auge com a explosão pop dos anos 1980 e sofreu sua decadência nos anos 1990, espécie de limite aparentemente intransponível de tédio e vazio intelectual e artístico. Para entender esse percurso, seria produtivo estabelecer uma comparação entre dois hits que envolvem três figuras centrais desse percurso: “The girl is mine” e “State of shock”.

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Vinte anos da morte de Leminski

Entrevista de Luis Dolhnikoff e Solange Rebuzzi a Marcelo Flores

Marcelo Flores: Como você vê a obra de Leminski poeta passados vinte anos de sua morte? Quais são suas virtudes e defeitos?

Luis Dolhnikoff: Vejo-a como a via há vinte anos. Leminski é um poeta irregular. Isto pode parecer óbvio, mas não é. Significa que é particularmente irregular. Isto pode parecer óbvio, mas não é. 
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Oito e meia razões para detestar Leite Derramado
Leda Tenório da Motta

O título “leite derramado” é meio ordinário. Mas não nos enganemos, não é essa a atmosfera do romance que ele introduz. Na verdade, quando se transfere para a literatura, a língua demótica de Chico Buarque é apenas cláusula retórica. Assim, embora acene na direção da moralidade popular, esse título não nos deve incomodar porque faz cumplicidade com o leitor médio, como se isto fosse um samba.

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Lucio Costa – pensamento filosófico (três textos)
Lucio Costa   

O desenvolvimento científico e tecnológico não se contrapõe à natureza, de que é, na verdade, a face oculta – com todas as suas potencialidades virtuais – revelada através do intelecto do homem, vale dizer, através da própria natureza no seu estado de lucidez e de consciência. O homem é, então, o elo racional entre dois abismos, o micro e o macrocosmos, ambos fenômenos naturais, cujos produtos “elaborados” são a contrapartida do fenômeno natural “palpável” .

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Virna Teixeira como sintoma da produção atual
Fabio Riggi   

O modo como a poesia se configurou como sistema – ou se formou, diria Antonio Candido – no Brasil abre espaço para alguma proposta que se relacione, para além da “queima de capital poético” (Mário Faustino), à tradição? Senão, o que é possível propor hoje em termos de poesia? Qual o peso da tradição, ou quais as responsabilidades que lhe são atribuídas?

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A POESIA EM CÂMERA LENTA DE EUCANAÃ FERRAZ
Luis Dolhnikoff   

Começo parafraseando Marco Antônio no célebre elogio fúnebre a César: Eucanaã Ferraz é um homem de letras respeitável. Mas se assim começo, assim não prossigo, pois Marco Antônio é irônico ao afirmar ser Brutus um homem honrado. E não faço aqui uso da ironia, mas de seu contrário, a afirmação direta e clara. Eucanaã Ferraz é respeitável em função de seus livros, das antologias que organizou (nem todas de poesia, aliás) e de sua atuação como professor de literatura brasileira.

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A decadência do império Caetano
Ronald Augusto   
Pode-se avaliar o trabalho de um artista e, de resto, de qualquer sujeito, de duas maneiras — embora não necessariamente nessa ordem —, a saber: (a) numa, podemos confrontar suas realizações com as dos seus iguais, isto é, investigar o que oferece de singular relativamente ao estado de espírito do tempo em que se insere, mal ou bem; em outra (b), comparar, por exemplo, sua realização mais recente com o continuum de um projeto estético representado pelo conjunto de suas obras.
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Relendo Duchamp e Outros Transgressores
Cândido Rolim   

Com certo desinteresse fingido, a estética e o mercado olham para os seres e as coisas como um vasto horizonte de possibilidades. Assim, tributárias de uma curiosa apropriação, experiências de artistas como Marcel Duchamp, que a par de também serem lidas como uma estilização de resíduos, desestimulam o expectador a concordar com essa reificação, tão preciosa quanto mortificante, a que todo artefato parece estar condenado.

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Poemas do espanhol Antonio Machado
Ronald Polito   

Está completando setenta anos da morte de Antonio Machado (1875-1939), um dos poetas mais significativos da chamada “Geração de 98” da Espanha. No Brasil, no entanto, sua obra foi pouco traduzida, sendo conhecido apenas por aqueles que se interessam pelos poetas espanhóis. Até onde pude verificar, não existe nem sequer uma antologia de seus poemas no mercado.

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No hay poetas jóvenes
NGC 224 de Héctor Hernández Montecinos

José Molina

“No hay poetas jóvenes, lo que existen son escrituras nuevas o nada” cita que expone HH en su reciente libro NGC 224 (Litoral, 2009).

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